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Como você conversa com o seu filho?

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Mas como está a saúde da sua comunicação? Todos nós sabemos que a escolha incorreta de algum termo pode causar a famosa “falha de comunicação” e dar um efeito desastroso no ambiente profissional, por exemplo. E com as crianças?

Você já pensou que uma das causas das frases “meu filho não me obedece” ou de “essas crianças não param de berrar” pode estar relacionada aos aspectos comunicativos utilizados por você?

Falar as palavras corretamente é apenas uma das fatias da linguagem oral. Além dela, que é apenas uma das formas da comunicação humana, há também o que se diz respeito ao processo de interação e troca de informações, sentimentos e ideias. Compartilho aqui com vocês os principais fatores envolvidos na comunicação verbal e não-verbal que influenciam as relações entre filhos/pais, professores/alunos e adultos/crianças, em geral:

- A escolha de vocabulário: Na hora de explicar um acontecimento mais difícil (morte de um ente querido ou separação dos pais, por exemplo), pense em como aquela criança se relaciona com o mundo, considere sua imaginação e tente utilizar palavras que não a assustarão ou deixarão com mais dúvidas.

- Na escola ou em casa, considere o repertório disponível, o tempo de atenção e o interesse da criança: Não adianta querer ler um texto conceitual para crianças de 3 a 4 anos de idade e achar que a turminha ficará atenta (e quieta)! O aprendizado daquilo realmente precisa acontecer agora? Então faça-o de maneira informal, contando uma história ou cantando uma música.

- Cuide do tom da voz: você já viu alguma gravação sua ou já perguntou para outros adultos como eles percebem a sua voz? A qualidade vocal é um dos aspectos mais estudados na área de expressividade da fala. Em muitas conversas, apesar de utilizarmos palavras acalentadoras, a criança chora culposamente, né? Pode ser apenas um “tom de voz” áspero que te faça parecer rude.

- Desligue o megafone interior: A intensidade ou, popularmente, o “volume” da voz pode te aproximar ou te afastar dos seus interlocutores mirins. Gritos são repulsivos e criam uma verdadeira barreira entre vocês. Além disso, em uma casa em que tudo é proferido em “alto e bom som”, não adianta mandar para as crianças pararem de gritar... Dê o exemplo!

- Dê bronca, dando bronca (ou elogie, elogiando): Quem nunca se sentiu confuso perante uma pessoa que fala sem utilizar expressões faciais ou que usa ironia o tempo todo? Agora imaginem a cena: um bebê de 2 anos (que está iniciando o desenvolvimento de linguagem), derruba o vaso ou sobe no rack da sala e a avó, sorrindo, diz: “Aninha, não pode!”. A Aninha achará que agradou a vovó e passará o resto do dia repetindo a peripécia, claro. Quando vamos elogiar ou chamar a atenção, as nossas expressões faciais têm que coincidir com o conteúdo da nossa fala e com a nossa intenção comunicativa - ou o efeito provavelmente será reverso!

- Um minutinho da sua atenção, por favor: Nós estamos sempre correndo contra o tempo e fazendo mil tarefas ao mesmo tempo, mas a criança tem necessidade de conversar, fazer perguntas ou contar um fato ocorrido sem pressa... Então, o diálogo acaba acontecendo, via de regra, enquanto o interlocutor adulto não está tão disponível ou atento e, por outro lado, a criançada fica sem o olho no olho e com perguntas sem respostas. Em um momento seguinte, o mesmo adulto tenta dialogar com a criança e ela não olha, não responde ou não demonstra interesse (mesmo que o tenha). Birra? Falta de educação? Chatice? Não... simplesmente, a criança reproduz o que aprende com os adultos de referência do seu dia a dia.

- Sempre que possível, faça uma autoanálise enquanto falante: grave um vídeo de uma tarde na sua casa e veja como está a postura corporal e as expressões faciais. A ideia é observar como você se relaciona com seus pares mirins.

- Enfim, sem culpas ou traumas, porque sei o quão impossível é cuidar de tudo o tempo todo, tá? Mas tentem separar um tempo por dia para vocês e suas crianças sentarem, se olharem e conversarem sem nenhuma pressa ou distração. Além de conectados emocionalmente, seus filhos se tornarão bons falantes (e ouvintes)!

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Colunistas/Lilian-Kuhn/noticia/2016/03/como-voce-conversa-com-o-seu-filho.html