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Não deixe seu filho ficar para trás nas férias

 

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A constatação é de um grupo de pesquisadores da Johns Hopkins University (EUA), liderado pelo sociólogo Karl Alexander. Ao longo de vários anos, ele analisou as habilidades de leitura e matemática de alunos de várias faixas sociais, antes e depois das férias. Verificou que, no final do ano, não havia grandes diferenças entre os estudantes. Porém, na volta das férias, enquanto as crianças provenientes de famílias menos favorecidas apresentavam as mesmas habilidades ou até alguma perda, os outros alcançavam notas ainda mais altas. Ou seja, haviam aprendido ao longo do verão.

Isso acontecia porque, nesse período, eles haviam lido livros, feito viagens, visitado museus, frequentado teatros e colônias de férias – programas aos quais as outras crianças dificilmente teriam acesso. O que Alexander chamou de “déficit de verão” pode se refletir ao longo de toda a vida escolar, acentuando as distâncias entre estudantes. Outras pesquisas apontam na mesma direção.

É com base nisso que, no Brasil, algumas escolas propõem um “dever de férias”, em geral leve e lúdico, com exercícios voltados para minimizar a perda de aprendizagem. Nos Estados Unidos, chega a haver programas estruturados, como os da National Summer Learning Association, que propõem experiências de verão estrategicamente planejadas para desenvolver talentos.

A questão para os pais é: quando as portas da escola se fecharem até o próximo ano letivo, o que meus filhos vão encontrar? Para alguns, haverá um universo de coisas interessantes. Para outros, as férias ficarão restritas a dormir até tarde, passar mais horas nos videogames, TV e redes sociais, sem oportunidades culturalmente enriquecedoras. Essa ruptura pode ocasionar demora no retorno do ritmo de estudos e, ainda, acentuar as disparidades no desempenho escolar.

Por tudo isso, vale a pena que os pais de crianças e adolescentes dediquem um tempo a planejar as atividades deste período.

A primeira possibilidade é fazer programas culturais. Por exemplo, ver exposições, assistir a uma peça de teatro ou um concerto de música. Em todas essas alternativas costuma haver opções voltadas para crianças e jovens e algumas delas são bem acessíveis, com preços populares.

Outra ideia é ir ao cinema. Vale escolher um filme que tenha uma mensagem significativa, para discutir depois. A conversa sobre conteúdos e sentidos dos filmes exercita o pensamento e a capacidade de interpretação.

É importante propor jogos que desafiem a inteligência e o raciocínio, em vez de atividades puramente mecânicas. Melhor ainda praticar esportes ao ar livre. Cozinhar é uma excelente experiência: há que ler receitas, planejar o trabalho, calcular tempos e medidas, coordenar várias tarefas e a família ainda pode se reunir para saborear o resultado da brincadeira.

Não esqueça da leitura. Estimule seu filho a escolher pelo menos um livro para ler nas férias. Ajude-o a criar um hábito que não dependa só da escola.

Para tudo isso, leve em conta os interesses dele. Ele se entusiasma com temas sobre espaço, filmes de ficção científica? Leve-o ao planetário e relacione os filmes com o que ele viu. Para quem gosta de história, há museus que mostram a vida de personagens de outras épocas, seus estilos e costumes. Em algumas cidades há museus sobre aviação, moda e até brinquedos. Se você viajar, procure se informar sobre os roteiros culturais da região para levar seu filho.

Alguns optam por colônias de férias. Nelas, a criança pode desenvolver habilidades de relacionamento e aprender a se virar sozinha, longe dos pais – o que reforça a autonomia. Muitas são temáticas, com atividades como artes, música ou idiomas. Estabeleça critérios para escolher bem, como verificar as condições de segurança e a presença de educadores capacitados.

Nos Estados Unidos existe até uma certificação para atestar a excelência dos “programas de verão” (o Excellence in Summer Learning Award). Ela avalia indicadores como objetivos, modelo de gestão e resultados alcançados.

Uma recomendação final: cuidado com os exageros. As férias são para descansar, então não transforme esse período numa maratona de aulas de reforço nem deixe seu filho colado nos cadernos, mesmo se ele tiver passado de ano raspando. Não é necessário revisar matéria, a escola cuidará disso na volta às aulas. Equilibre a aprendizagem com muito descanso, diversão e lazer.

 

Fonte: http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/1.html